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| Prof. Dr. Kariston Pereira, Superdotado, QI 144 (DP 15), Percentil 99,8 |
Caros amigos do NexT!
É com uma certa surpresa e acanhamento que torno público o resultado de minha avaliação neuropsicológica, cujo laudo atesta a condição de Altas Habilidades e Superdotação (AH/SD), com um QI Total de 144 (Desvio Padrão 15), Percentil 99,8! Digo surpresa, pois embora eu tivesse suspeitas a esse respeito, dado meu comportamento usual e resultados acadêmicos conquistados, é algo que imaginava não estar ao meu alcance, ainda mais nesse patamar. Depois descobri que até isso é característico dos superdotados: enfrentar constantes crises de baixa autoestima e prestar mais atenção nos defeitos e falhas a serem corrigidas do que nos sucessos alcançados.
O acanhamento vem de minha timidez natural, pois sou de personalidade introvertida (sou um clássico INTJ-T). Mas, acredito que o que estou publicando aqui possa ajudar muitas outras pessoas a superar momentos extremamente difíceis como os que eu vivi e tive que enfrentar. Infelizmente, eu acabei contraindo a COVID-19 por pelo menos três vezes (comprovados em testes), mesmo com as vacinas em dia, e em todas as vezes desenvolvi a chamada COVID longa, com sintomas persistentes que duraram mais de um ano em cada infecção. Tudo isso aconteceu na casa dos meus 45-50 anos de idade, uma faixa etária crítica e, também devido a fortes frustrações em meu trabalho com baixo reconhecimento e pouco apoio real aos projetos que desenvolvo, gerando um tremendo sentimento de injustiça (também típico dos superdotados) fui, progressivamente caindo em depressão, até que desenvolvi um quadro extremamente grave, com depressão existencial profunda e transtorno do pânico. A vida havia simplesmente perdido todo o sentido para mim. O ano de 2024 foi o pior, em que, sem exagero, pensei em tirar a minha vida todos os dias daquele ano! Não tinha forças sequer para tomar banho ou sair de casa. Mas, mesmo assim, não me afastei de meu trabalho e, aos olhos de muitos, eu estava bem, pois eu continuava a entregar bons resultados (também uma condição típica dos superdotados, que mesmo doentes, conseguem cumprir com suas obrigações laborais).
Passei por vários psicólogos e tratamentos psiquiátricos e só tenho a agradecer a contribuição que cada um me deu. Considero o meu psiquiatra, Luis Felipe de Camargo Abagge, um dos melhores médicos que já conheci em minha vida. Mesmo nos momentos mais difíceis, ele sempre esteve à disposição para me ajudar a encontrar uma saída. A partir de um certo momento do desenvolvimento de minha doença, tanto o meu psiquiatra quanto meus psicólogos começaram a acreditar na possibilidade de eu possuir Altas Habilidades e Superdotação como pano de fundo para o meu quadro persistente de depressão e ansiedade. Os psicólogos (sim, mais de um!) tentaram me convencer a fazer uma avaliação neuropsicológica para rastrear tal condição, mas, eu não me encontrava bem e, confesso, estava com medo de obter um resultado ruim. Explico: apesar de eu viver com uma constante baixa autoestima geral, eu sempre obtive resultados acadêmicos expressivos e a "inteligência" era o meu último "bastião psicológico". Para se ter uma ideia, eu sempre fui o melhor aluno de minhas turmas, desde o primário até o doutorado! Nunca peguei recuperação ou exame, seja no ensino fundamental, médio ou superior. Fui primeiro de turma nas duas faculdades que fiz na UDESC (Bacharelado em Ciência da Computação e Tecnologia em Processamento de Dados). Em Ciência da Computação conquistei talvez a melhor média geral na história do curso: 9,28. Minha tese de doutorado foi considerada a melhor de meu programa de pós-graduação (EGC/UFSC), que tem conceito sete na Capes, que é o conceito máximo! Passei em primeiro lugar em vários concursos, incluindo o da Escola Preparatória de Cadetes do Exército - EsPCEx (entre os candidatos de SC), no concurso público para o Ministério Público da União - MPU, no vestibular da ACAFE da então FUNDESTE/UNOESC (primeiro na faculdade inteira) e segundo colocando no vestibular da UDESC. Também passei em primeiro lugar no concurso público para professor da UDESC, onde trabalho até hoje. Mas, apesar de todos esses sucessos, eu continuava extremamente crítico comigo mesmo e achava de deveria conseguir resultados ainda melhores (o que hoje sei que é fruto de um perfeccionismo e de uma dedicação/determinação profunda também característicos da superdotação).
Depois de muito tempo sofrendo, tomei coragem e fui fazer a tal avaliação neuropsicológica, na Unimed Joinville, que tem um setor especializado nesse tema. Tive que me submeter a inúmeros testes, entrevistas, questionários e observações ao longo de meses. Nas primeiras sessões confesso que eu estava muito ansioso e acredito que a ansiedade tenha até prejudicado meu resultado final. No começo de abril veio o resultado. Minha condição não é apenas de superdotação mas, quase que de superdotação profunda (QI superiores a 145). Aos 50 anos de idade, com um QI (Quociente de Inteligência) de 144 (desvio padrão 15) e percentil 99,8 (que significa que meu resultado foi superior ao de 99,8% da população ou, dito de outra forma, dentre mil, eu sou superior a 998) eu superei, nada mais nada menos, o resultado oficial de um dos maiores campeões mundiais de xadrez de todos os tempos: Garry Kasparov!!
Garry Kasparov foi campeão mundial de xadrez clássico de 1985 a 2000, sendo o mais novo até então a conquistar o título mundial (aos 22 anos de idade), sendo campeão mundial, portanto, por aproximadamente 15 anos, estando na primeira colocação do ranqueamento mundial por incríveis quase 20 anos (aproximadamente 243 meses no topo). É considerado por muitos, inclusive por Magnus Carlsen, atual número um, o maior enxadrista de todos os tempos! Atingiu uma pontuação de rating de também incríveis 2851 Elo. Apesar de muitas fontes apontarem que ele possua um QI de 190 (o que de fato, por si só é falso, já que os testes atuais só garantem valores estatisticamente válidos até 155 ou 160), isso é mera estimativa ou especulação extrapolativa a partir de seus resultados no xadrez. O teste real a que Kasparov foi submetido apontou um QI oficial de "apenas" 135 (Revista Der Spiegel), que o coloca também no nível de superdotação, mas, não num padrão tão absurdo. Esse teste foi feito em 1987, quando Kasparov já era campeão mundial de xadrez. O caso de Kasparov é talvez o único de um campeão mundial de xadrez com registro de teste de QI oficial supervisionado, que pode se comparar adequadamente com as escalas atualmente utilizadas.
Em pesquisa com ferramentas de busca, descobri também que meu QI talvez seja o maior QI já oficialmente registrado em Santa Catarina. Digo talvez, pois nem todo mundo que se submete a uma avaliação neuropsicológica publica seus resultados. Mas, dentre os valores divulgados, o maior valor de QI oficial até então era de 140 (em Joinville, o valor era de 138).
O entendimento de toda essa condição e esse autoconhecimento já começaram a me ajudar, reduzindo minhas crises de ansiedade e baixa autoestima, fazendo-me acreditar ainda mais em meu potencial na condução de projetos tão importantes quanto os do NexT - Núcleo de Estudos em Xadrez & Tecnologias na Udesc - Universidade do Estado de Santa Catarina. Estou começando a atuar também na orientação de mestrados e doutorados com pesquisas envolvendo Altas Habilidades e Superdotação (AH/SD) no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências, Matemática e Tecnologias (PPGECMT), e esse resultado também me dá mais confiança e legitimidade para atuar nesse sentido, sendo que agora posso afirmar, inclusive, que tenho como ajudar na condição de alguém que também vive e enxerga essa realidade "de dentro". Portanto, também me coloco à disposição de vocês e da comunidade para orientar trabalhos e pesquisas nessa área! Se tiverem interesse, basta me contatar.
Nos vemos no NexT!
Um grande abraço!
Prof. Kariston Pereira
Coordenador Geral do NexT
DCC/CCT/UDESC
